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Sabemos que um dos
indicadores sociais gritantes de nossa
sociedade, é o índice de pessoas excluídas do
atendimento das necessidades básicas
fundamentais, visto também pela psicanálise em
seus efeitos mais deletérios.
Cremos na possibilidade de
empreendermos esforços no sentido de não só
compreender as condições de produção da miséria,
mas também da diversidade de conflitos
específicos e atuais.
Partindo daí na tentativa de
interpretações e explicações para o fenômeno
pobreza, miséria, não apenas com analises que
privilegiem o político, o econômico e o social,
mas considerando, sobretudo, a importância da
visão subjetiva e psíquica provocada pela
condição da miséria, de forma decisiva na
construção da subjetividade dos sujeitos.
Pesquisando sobre os agudos
problemas sociais, recorremos a estudos
tradicionais sobre: pobreza, exclusão social,
miséria e seus subprodutos. Damo-nos conta do
quanto ali prevalecem apenas análises
econômicas, sociais e políticas com explicações
miraculosas de traços preconceituosos que ajudam
a banalizar a questão da pobreza numa região,
estado ou país, o que dificulta uma compreensão
maior, mais ampla do fenômeno. Encontramos um
texto elaborado por Derrida (2001, p.83) dentre
suas afirmações, uma, que aponta a inclusão do
saber psicanalítico como indispensável nos
discursos que regem o social.
Vivemos a globalização e uma
sociedade de mercado neoliberal que não se
interessa, em absoluto, pelo que vem produzindo
de pobreza e miséria, cujo subproduto expressa a
agressividade e a violência. Ponto-de-vista
este, perverso, que mostra como interesse dos
globalizadores, usufruir vorazmente tudo o que
as classes pobres podem oferecer. Só os vê,
entretanto, quando seus interesses (negócios ou
vida) são, de alguma forma, afetados. Enfim, o
que vivemos na contemporaneidade são
transformações intensas, que vêm alterando o
mundo do trabalho, o cotidiano das pessoas, as
estruturas da constituição familiar, falta de
referências que vão desnorteando a identidade
dos sujeitos. Os referenciais de vida social,
nesses tempos, tornam-se cada vez menos claros,
e são acrescidas novas exigências a cada um.
Dessa forma, aumenta o pânico, a angústia, o
desespero, que geram o aumento crescente da
agressividade nas relações.
As subjetividades têm-se
construído, portanto, submetidas a tantas
metamorfoses, que não é possível delinear, com,
pelo menos, um mínimo de segurança: valores,
hábitos, padrões. Não podemos deixar de lembrar
o desenvolvimento tecnológico que traz, por um
lado, avanço em várias áreas, grande volume de
informações, por outro, a perda dos limites que
norteiam a vida.
A globalização nos põe de
frente com sua contribuição; não só para o
aumento da agressividade na sociedade, mas,
também, na mídia, que trabalha, na maioria do
tempo, em cima da banalização da violência e da
exposição absurda do sofrimento ou do ridículo,
de forma a oferecer espetáculo. |